
Para aqueles que observam de fora, sempre me considerei simples. Como um desenho que você olha e entende logo de cara. Sem códigos subliminares ou metáforas complexas.
Só alguém muito danificado para reconhecer outro.
Dores são engolidas pela pele e ficam beirando a essência, longe dos olhos da superfície. Cicatrizes externas mostram batalhas; internas, derrotas.
E veja bem, você sabe. Quando há alguém interiormente tão perfurado quanto você, você sabe. Alivia. Abranda um pouco a dor de não conseguir ser inteira.
Foi assim que te encontrei.
Sentado sob a chuva, enquanto todos se escondiam. O que assusta aos Inteiros nos conforta. Eu sei, também estava lá, sob a mesma chuva.
Vi seus olhos como tantas vezes vi os meus próprios; olhando como se para dentro, como se além.
Você soube também, não soube? No instante, no exato instante que nossas peles se tocaram, nossas perdas se sentiram. Você soube que também eu era pedaço.
Eternizei esse momento, esse toque que suavizou todos meus anseios. A chuva iria parar em breve, era daquelas pancadas que caiam em meio a um dia quente demais. Com ela, você iria também.
Fechei meus olhos.
Você tocou, mudou tudo e se foi.
Como a chuva.
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