domingo, 15 de novembro de 2009

Liberdade

Sentia o vento. Bagunçava seus cabelos, zumbia no seu ouvido, refrescava sua mente.
O vento fazia sentir-se livre, sozinho; mas não solitário. Sentia-se completo, inteiro; era como ter o mundo inteiro a sua frente e nada a ser deixado pra trás.
A alegria que extraía de sua cômoda liberdade, das risadas soltas e dos encontros inesperados, eram aproveitadas com tamanho júbilo que quase não se sentia infeliz. Quase.
A controversia de ser livre é justamente isso: ser livre. Não há amarras, não há nada que te prenda; não há amor. O amor, o verdadeiro e puro amor, te domina, te toma. Não há tempo pra ser livre quando se ama. Liberdade é única, é só.
A excitação de poder ser e fazer o que quiser é tremendamente atraente. Não permanecer por muito tempo, ser um andarilho do mundo. Ao se instalar, com o tempo, passamos a se importar. Assim partimos, com medo de querer ficar, de querer ter alguém a esperar algo de nós.
E então, andando desprevenido por uma esquina qualquer, se perde em um sorriso que lhe promete tudo em troca da sua liberta vida.
Fica pra trás então, a liberdade; corrompida pela única coisa que lhe faltava: todo o resto.